Eu fui assistir ao reboot de Robocop, do senhor José Padilha. Na real, eu só acabei indo porque era um filme holywoodiano dirigido por um brasileiro, no fim das contas: eu fui com as expectativas tão altas quanto o meu dedão do pé.
E, depois de 1 hora e 57 minutos, eu sai feliz do cinema. Há um bom tempo que eu não assistia (no cinema) um filme que me fizesse "sentir bem", um filme que não é nada de espetacular mas é legal de assistir. Vamos aos pontos:
Como eu já disse, eu fui com expectativas baixíssimas, mas — graças aos deuses de todas as religiões possíveis — eu queimei minha língua: O filme do Padilha, quem diria, é bom.
Já falando no fato de que José Padilha conseguiu fazer milagres com esse filme. Mesmo enquanto sofria com toda a pressão e manipulação da produtora, e sendo obrigado a fazer um filme com censura 14 anos, ele conseguiu fazer e entregar um trabalho muito competente.
Então, começando pelo quesito atuação: Os atores trabalham muito bem, a atuação é quase excelente, com pouquíssimos deslizes aqui ou ali (talvez com exceção de Joel Kinnaman, o próprio Robocop, que é mais robô quando humano do que quando robô), que não comprometem em nada o filme. Afinal de contas o elenco é de peso, contando com Samuel L. Jackson, Michael Keaton e Gary Oldman.
Já falando sobre o filme em si: As cenas de ação, por exemplo, são muito bem colocadas no momento certo e são bem fluídas também. Nada de exageros aqui. O diretor carioca conseguiu criar o seu próprio Robocop sem se distanciar muito daquele proposto por Paul Verhoeven.
O novo Robocop (nesse caso, o personagem) não deve em nada para o clássico. Aqui, a reflexão é a mesma: O que aconteceria se um homem fosse fundido à uma máquina? Ou se as emoções humanas transpassassem as diretrizes do computador? José Padilha consegue aplicar isso muito bem aqui, e ainda dar um tom bem mais dinâmico para o seu personagem (o novo Robocop pode correr e saltar por exemplo), algo que, nos moldes desse remake, caiu como uma luva.
Resumindo: O remake do Padilha não deve em nada para o de Verhoeven, seguindo os moldes atuais, claro. O filme possui uma história muito simples, nada de complexidade, mas consegue desenvolver os personagens suficientemente bem. Aliás, o jogo de câmeras lembra muitos os usados em ambos os Tropa de Elite, principalmente nas cenas de ação. E, como não podia faltar, há várias referências ao primeiro filme, como a armadura clássica ou a música tema.
Não. Esse filme não vai causar o mesmo impacto que o Robocop de Paul Verhoeven causou. São novos tempos, violência extrema em filmes já não é novidade pra ninguém.
Como uma pequena observação, quero deixar bem claro aqui como a atuação de Michael Keaton e de Gary Oldman foram simplesmente sensacionais. Aliás, eu digo que para Batman VS Superman, Michael Keaton daria um bom Lex Luthor!
NOTA FINAL: 3/5



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